segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ROGOS

ROGOS


Tire o véu do tempo que nos cobre
Este fino, imperceptível e leve
Que ambos sabemos existir


Permita com algumas tuas arrumações
Que eu enxergue o que existe
E me coloque num lugar seguro


Dê-me a liberdade de não precisar partir
Ajude a desvendar palavras sobrepostas
O que vai em versos interrompidos


Preciso do calor que sobe do chão
Sustentando minhas pernas bambas
Ar quente que me enlace a alma


Quero ouvir a voz grave que convence
Entrando sorrateira, porém macia e leal
Acendendo os olhos, insistente


Nada maior ou menor do que os anseios
Tudo o que possa alcançar o imaginário
Ser arrebatada além dos sonhos e devaneios


Beatriz Prestes


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CORTE PROFUNDO



CORTE PROFUNDO


Fio de navalha afiada
Dilacerando sem ser notada
Fazendo esvair o pranto
Que corre sob a carne cansada


Navalha que corta a alma
Como se cortasse o vento
Partindo núvens compactas
Interrompendo sentimentos


Fio afiado removendo risos
Rito de passagem para a dor
Tatuando feridas na pele
Mutilando para sempre o amor


Beatriz Prestes

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SILENCIOSAMENTE

SILENCIOSAMENTE

Caminho brandamente e olho para o alto
Em busca de copas de flores brancas
Tomada de uma ansiedade, muito além do normal
Sentindo o desespero de precisar descobrir

Aspiro o cheiro da minha estrada de Eucalíptos
Caminho muito familiar onde questiono e medito
Em tão breve tempo construímos tanto
Erguemos intensas histórias, concretizamos

Percebo que preciso parar de tanto pensar
Talvez por isso, tudo tenha se tornado diferente
Pensava, sonhava, não vivia, cogitava
Guardei-me de tudo, esperando ser resgatada

A cada dia noto que estou uma fileira para trás
Acomodada bem de longe assistindo ao espetáculo
Onde o todo é grandioso, fascinante e colorido
Mas não se assimilam emoções, recados de um olhar

Sairei com leveza, como veludo deslizando sobre a pele
Carregando as flechas certeiras em mim cravadas
As sensações só possíveis nas dores para sempre
Abrindo mão de aplaudir, banhada em lágrimas


Beatriz Prestes

terça-feira, 10 de novembro de 2009

CONJECTURAS

CONJECTURAS

Não reparo mais nas coisas a minha volta
Noto apenas algumas sombras
Cruzando meus bairros interiores
Onde os moradores são de rua
Batendo em meu portão

Conheço bem os cantos do meu mundo
Onde um dia os sonhos aguardaram pacientes
Onde as plantas latejavam e se preparavam
Esperando meu alvorecer perfumado
Esvaiam-se em tentativas de conseguir

Fui tecendo a entrada deste mundo com projetos
Cultivando vários sonhos, como filhos legítimos
Imaginando, semeando e esperando
Para quase ser subtamente engolida
Pelas histórias que eu mesma criei e acreditei

Às vezes tento penetrar nos pensamentos
Desta desconhecida terra estrangeira
Solo úmido, movediço, onde nunca pisei
Onde se encontra alguma revelação
Elo perdido do que ainda não sei

Não consigo mais tocar as núvens como antes
Transformá-las em colcha alva e macia
Ou erguê-las como muros de escalada
Para o meu ritual insistente de tentativas
Imaginando, semeando e esperando

Beatriz Prestes

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

MEU LUGAR É NENHUM

MEU LUGAR É NENHUM


Avança o tempo, que me parece sem jeito

Há poucos momentos parecia saber onde ir

Hoje ele apenas passa, me atordoando

Sem mais projetos seguros para conduzir

Vejo casas abarrotadas de estranhos

Lugares afinados, onde não me encaixo

Sementes de um fruto desconhecido

Que brotam por todos os lados

Avisando que o tempo é tempo

Vai indo rápido sem me acomodar

Onde o fel da colheita trava a minha boca

Espanta a certeza do que deveria ser adocicado

Timidamente provo das cores artificiais

Sou a peça a mais no tabuleiro de lugares marcados

Onde tudo está definido, sobrando pouco espaço

Recordo deste tempo, onde os versos eram marotos

Brincavam de a vida driblar

Hoje eles protestam, fazem passeata

Caminham sozinhos por bairros vazios

Lutam por nada, querem nenhum lugar


Beatriz Prestes

domingo, 1 de novembro de 2009

SEMPRE MENINA

SEMPRE MENINA

Percorro as alamedas
Intrigada com a mutação
Transformações discretas
Resultados centenários
Que para tantos
Passam desapercebidos
Enormes rachaduras no chão
Fazendo emergir raízes
Que em contato com a umidade
Adoçam a minha respiração
Olho estes pequenos detalhes da vida
E num repente, passo a recordar
Reviver aquela menina
Que vasculhava formigueiros
Investigava insetos em troncos velhos
Aquela menininha
Que tinha um universo inteiro
Compactado em seu jardim
A cada dia, aconteciam novas missões
Curiosidade, muita vida
Pressionadas pelo mundo novo
Que crescia na minha alma de menina

Beatriz Prestes

domingo, 25 de outubro de 2009

SER OU NÃO SER...MELHOR FAZER

SER OU NÃO SER...MELHOR FAZER

Doce pode ser a vida
Como vela dócil ao vento
Sob o sol do dia a dia

Sutil bruxoleia inconsequente
Na ironia do que se espera talvez
Destino escrito, mas irreverente

Pensar e pensar sobre o que é viver
Para uns poucos, raro presente
Para outros levar apenas, ser sobrevivente

Tantos são os bons motivos
Viver em paz sem tanta oscilação
Deste ser, não ser...acreditar ou não

Ser sempre relento ou abrigo
Estender ou não a mão
Precisamos de real um objetivo

Tanto a vida faz, e ficamos apenas a pensar
Na força que temos ou podemos
Não concretizamos a capacidade de amar

Ter mais vida pulsando para viver
Tornar todos os dias magnífico presente
Cuidar melhor desta vida

Que sopra......ou se extingue de repente


Beatriz Prestes

terça-feira, 20 de outubro de 2009

NO JARDIM DE MINHA ALMA

NO JARDIM DE MINHA ALMA

Quero de volta o meu jardim
Com mudas de Íris brotando
Lantanas coloridas
Sinalizando nova vida
Lindos momentos pulsando

Quero as flores todas
Como em meus sonhos de criança
Fazer uma cerca inteira
Só com trepadeiras
Entremeadas de sonhos e esperanças

Quero enxergar ao fundo
Do meu íntimo quintal
Delicada árvore pequena
Brotando mágica
Filtrando docemente o sol

Quero a vida
Colorindo as minhas orquídeas
Seres aéreos que flutuam
E ainda contam histórias
Das recordações solitárias

Que trago tão vivas em mim....ainda.


Beatriz Prestes

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O AVESSO POR DENTRO

O AVESSO POR DENTRO

Vê quem quer
Até o avesso
Da alma que sangra

O avesso que traz
O inverso do sentimento
Amor que não muda

Nas paredes do ser
Universo em si
Verdades cravadas

Vê quem quer...


Beatriz Prestes

sábado, 10 de outubro de 2009

JEITO DE MULHER

JEITO DE MULHER


Hoje em mim
Habita o capricho
Trejeitos de alma
Coisas de mulher

Muita intuição
Todos os instintos
Pois sei o que quero
Então busco, insisto

Persigo frenética
O que talvez não sonhes
Num mundo íntimo
E tão particular

Onde procuro uma chance
Envolver-me de vida
Repleta de fascínio
Tudo ao meu alcance

Vida na ponta dos dedos
Pulsando querer, saber tocar
Vertendo nos olhos ávidos
Felicidade pura, amor demais


Beatriz Prestes

sábado, 3 de outubro de 2009

GOSTO DE VIDA

GOSTO DE VIDA

Sorrisos luminosos não se apagam
Mesmo quando guardados em lábios cerrados
Impossível trancafiar a felicidade
Janelas e portas abrem sem ranger
As cortinas são vermelhas e aveludadas

A bebida é doce e eu me entendo
Há algo tão materialmente lindo
Permeando a minha vida
O toque da névoa é purificador
As expectativas me absorvem

Deito sobre a minha imaginação
Brinco de faz de conta, invento
Busco um cheiro, um gosto suave
Alguma lembrança deliciosa
Que me faça contar até três, e pular!


Beatriz Prestes

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ESTADO DE ALMA

ESTADO DE ALMA

Eu e me minha oscilação
Confundindo otimisto com obstinação
Aumentando minha coleção
De mil flores frescas, em seus formatos
Aromas perfeitos combinados

Quanta coisa invento para esquecer...
Coisas para refrear meu sentimento
Tantas dores que em mim não quero
Desde que abri o meu acreditar
E mantive o medo guardado

Que saudade do que fui outrora
Estado demorado de ingenuidade
Mundo interior enfeitado
Onde cúmplices e empolgados
Dois riam juntos e apaixonados


Beatriz Prestes

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ALIVIAR

ALIVIAR

Rogo aos céus que não me atendem
Queria verter tudo pelos poros
Como em corrida desenfreada
Em que não se pode conter o suor

Se preciso fosse, pisar em brasas
Para que o grito de dor fosse alarme
Pedido irrecusável de socorro
Para ter o bálsamo após tanta dor

Que caminho de espelhos é esse
Labirinto refletindo busca o tempo inteiro
Onde a noite é escura, crua e sem lua
E nunca encontro o sol nascente

Sede da alma, água densa e salgada
Sem braços para abraços, riso para acalentar
Quero expurgo, drenar todo desgosto
Deitar o corpo, levantar a alma e amar

Beatriz Prestes

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CAMINHANDO

CAMINHANDO

Absorvo os segredos de bem caminhar
Vou por alamedas silenciosas, não temo
Aprecio o mistério deste vazio intenso
Não tropeço mais no que não vejo

Observo a pequena e branca flor
Tentando graciosamente se esconder
Na noite parece tão recatada e tímida
Ou é doce manha, preguiça de florescer

Vem de frente um vento cortante
Murmurando saudade em meu ouvido
Balançando as copas das árvores
Embalando os pássaros nos ninhos

Vou tentando a arte de compreender
Nestes meus passos vacilantes e contados
Solidão realmente dói, mas sábia faz sentido
Enquanto esperançosa ando, observo e sinto

Beatriz Prestes

terça-feira, 22 de setembro de 2009

QUASE SEM DESTINO

QUASE SEM DESTINO

Tentei correr, conquistar
Atrasar o cansado relógio
Ultrapassar de vez o futuro
O sonhado destino alcançar

Sem fôlego, quase perco o ar
Escorreguei, muito machuquei
Tropecei em pesados galhos
Não olhava para os lados

Apostava no instinto
Jurava que ia chegar
Hoje percebo a tolice
De seguir para nenhum lugar

Quase não enxergo
A luz no fim do túnel
Do outro lado da escuridão
Havia sol, esperava por mim o futuro

Beatriz Prestes

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

EM BOA COMPANHIA

EM BOA COMPANHIA

Como pude não perceber
Não me faltava nada
Bastava eu me querer

Um botão demais demorado
Precisou ser podado
Para desabrochar perfumado

Hoje só quero céu e sol
Algumas rajadas de vento
Pouco preciso para contentamento

Como é gostoso acordar
Saborear devagar a vida
Sentir que sou plena em meu lar

O que eu poderia mais buscar
Tenho tudo o que queria
Sou capaz até de simplesmente amar

Abro meus nichos secretos
Coisas tão delicadas
Não imaginava tantos sonhos

Há um mundo com tantas estrelas
Silêncio repleto, fachos de luar
Clarão do alto para me direcionar

Fico assim, me conhecendo de novo
Sentindo prazer no meu caminhar
Emergindo, compasso certo no respirar

Sou minha melhor companhia
Com borboletas e fadas a me rodear
E assim apenas agradeço

Voltar a sorrir, cantar e dançar


Beatriz Prestes

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ÚLTIMO POEMA TRISTE

ÚLTIMO POEMA TRISTE

Contagem regressiva
Foram-se os vãos anseios
Há sonhos para mergulhar
Procuro meu vestido favorito
Aquele há tempos esquecido
De maciez acolhedora
Escorrego pelos cantos, casa vazia
Toco a minha música
Posso aumentar bem o volume
Pois o mundo está surdo
E um tanto tomado de cegueira
Que nem vai entender
O que significa o meu emocionar
Os personagens hoje flutuam
Em mim não pesam mais
Existem sim, não dá para negar
Mas emparedados
Na mesma memória que deixei
Naquele mesmo castelo
Universo cheio de segredos
Que recordo imponente e lindo
Etéreo que permaneceu na memória
Onde começou uma triste história
Que aos poucos vai-se indo
Até quando não me lembrar mais
Nem sentir o peito tão oprimido
Quero cenas panorâmicas, vivas
Reconhecimento de honestidade
E bem feliz sumir entre as árvores
Na vastidão de mim mesma
Gravada como em pinturas distantes
E se preciso for, uma última vez
Mergulharei nesta memória espinhosa
Arranhada em todas as minhas dores
Para ressurgir renovada, aliviada
Com pele e alma trocadas
E voltar àquele doce sonho
Onde parei no meio
E simplesmente aceitar
O que esta vida que encanta
Tem para me entregar

Beatriz Prestes

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DO QUE VAI NO CORAÇÃO

DO QUE VAI NO CORAÇÃO

Vida banida para o silêncio contido
Lótus tatuada, esquecida no passado
Não sei mais explicar tantas dores
Olhos de núvem amenizam quando sonho
A areia é escaldante sob os pés perdidos
Deito na memória dolorosa, e vou tentando
Devoro o meu medo, cheia de pressa
Compulsivamente, gula sem prazer
Até que possa sentir calor no coração
E reconhecer o que me inspira
Neste poder transformador das palavras
Desafio das perguntas, hoje caladas
Que se contorcem resistentes
Quero colocar suspense no futuro
Sem medos, ansiedades
Sem mais tantas expectativas e tolas ilusões
Como a de caminhar de mãos dadas
Ou mergulhar inteira na paixão
Quero descobrir imenso roda moínho
Que desmanche as teias da memória
Enfrentar o sabor forte da vida
Descansar os olhos no tom do vinho tinto
Inebriada pela cor incandescente
Como o sangue que por mim percorre
Espesso, intocado e quente

Beatriz Prestes

sábado, 5 de setembro de 2009

PARA MINHA MÃE

PARA MINHA MÃE

Mãe tão linda e querida
Hoje trago aqui, um pouco de mim
E passa longe da pretensão
Quero desaguar saudade do meu coração

São alguns versos sim
Que falam da falta de você
De precisar, de amor verdade
De conhecer saudade sem fim

Não me esqueci de nada
Conselhos que de você eu ouvi
Palavras doces e francas contando
Aquela linda história antes de dormir

Era uma vez uma princesa....
E tua princesa cresceu
Sonhou, sozinha acreditou
Mas nem tudo aconteceu

Continuamos fortemente ligadas
E assim será para sempre
Pois você sabe tudo de mim
E isso me basta, é o suficiente

Ninguém melhor me conhece
Sabe quem sou de verdade
E sei que saber do meu caráter
Te traz imensa paz e felicidade

Sou o que me ensinaste
Cresci, sou honesta e verdadeira
Não perdi tuas preciosas lições
Aplico todas com dignidade, sou inteira

Venha até mim em sonho
Preciso do teu abraço e carinho
Às vezes sou tão sozinha
Preciso demais do teu colo que é ninho

Mas vamos enxugar as lágrimas
Não quero te fazer chorar
Hoje é teu aniversário
E te espero feliz, aqui em meu lar

Melhor mãe no mundo
Não houve, nem haverá
Saiba que muito agradeço
Você tanto amor e vida me dar

Obrigada mãe, tão querida
Por ter aceitado com tamanha devoção
Ser minha mãe adorada
Ter cuidado de mim com paixão

Te amo demais minha mãe
Dói meu peito de tanta saudade
Onde for hoje a tua morada
Que esteja tomada de felicidade

Te amo para todo o sempre mãe....

Beatriz Prestes



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SENSAÇÕES

SENSAÇÕES

Na boca que lateja como a alma
Restou o travo, gosto meio amargo
Olhos sem alerta e sem par
Desaguando rio salgado

Músculo que tanto amava
Hoje pouco bate
Está recluso, desamparado
Enrijecido e mal humorado

Pensamento agitado
Esmiuçando idéias
Constatando a fria verdade
Sonho de vez afogado

Quero ter vontade de paz
Procurar como antes
Um canto aconchegante
Adormecer em cheiro relaxante

Para sentir-me encharcada
Em banheira de chá quente
Submersa em flores
Esquecer de vez traições e dores

Sair do torpor, despertar
E finalmente tudo sentir
Com olhos, boca e nariz
Vontade de desejos roubar

Procurar formas felizes
Em meu conturbado pensamento
Sensações, paz na alma promover
Tirar de mim contentamento

Vestir-me de puro algodão
Um rumo para minha vida encontrar
Saber que o que ainda vou ter
Existe em algum lugar


Beatriz Prestes

terça-feira, 25 de agosto de 2009

NO JARDIM DA MINHA VIDA

NO JARDIM DA MINHA VIDA

Que lições raras, preciosas
Encontra-se num pedacinho de jardim
Todas as estações fazendo festa
Imensa alegria dentro de mim

Folhas secas tornam-se tapete dourado
E no alto o verde inteiro lambendo meu telhado
E lá vem a invasão, perfume de laranjeira
Inebriando e envolvendo a minha alma inteira

Joaninhas vermelhas fazendo festa
Bordando contentes a minha vidraça
Enquando as folhas das palmeiras
Abanam com doce barulho fazendo graça

Brancura forrando os troncos da jaboticabeira
Natureza bondosa que sabe presentear
É só ser grato e saber esperar
Que a colheita com sabor logo virá

São cores, flores, borboletas e passarada
Sol alaranjado enfeitado de gorjeios
Me avisando que não haverá mais solidão
É só constatar a presença Deus

Agindo em meu pequeno jardim e dentro do meu coração


Beatriz Prestes

domingo, 23 de agosto de 2009

DIVAGANDO

DIVAGANDO

Como se prepara uma alma...
Calejar-se para o que virá
Existe um certo tom de realeza
Altivez necessária
Em minha vida de sobrevivente
Daquelas que vencem batalhas
Inúmeras, que vão esgotando
Mas renovando algumas forças
E mostrando que sempre
É apenas começo
Ou recomeço de tudo
Principalmente de si mesmo
Nas manhãs claras, cheias de sono
Em que ainda se faz um pingo de silêncio
Que permanece como névoa morna
Instala-se como manto que aquece
Que colore e amansa as crises
Bandagens canforadas na alma ferida
Acalmando o coração
Foram-se os sábados sonhados
Nenhum concretizado
Daqueles que se espera, ensolarados
Refletindo felicidade em lençóis
Sol filtrado por cortinas leves
Véus suspensos de ilusões
Dando seu adeus pelo vento
Virando mais uma página
Da mesma história
Teimosamente por mim insistida
Foi-se o que não aconteceu
E tanta coisa não aconteceu...



Beatriz Prestes

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CALÚNIAS

CALÚNIAS

O universo parece surdo aos meus gritos
E há tanta dissimulação intoxicando o que há de bom....
Preciso estar preparada para migrar
Arquivar de vez sonhos incrustrados na alma
Esquivar-me da maldade que tudo macula
Covardemente contamina, alienando propósitos
Tudo às vezes parece ficção
Diante das visões estarrecedoras que tenho
A pintura é escura, fria, sem mais nada de doçura
Não enxergo mais nenhum brilho
Pois parece que não vai parar de chover no olhar
O que há é frieza, maldade, maledicência pura
O climax foi cegado pela revelação
Que se mostra bem pouco nítida
Mas bem usual onde a falsidade não se mostra
Mas está sempre por ai, sorrateira
Distribuindo o que não é seu
Gentileza de sorrisos alienados
Enterrando de qualquer jeito o que hoje é passado

Beatriz Prestes

sábado, 15 de agosto de 2009

FILOSOFANDO

FILOSOFANDO

Às vezes me sinto tão feliz
Feliz pelo meu jeito
De acreditar
Que estrelas cadentes
Tem o poder
De sonhos realizar
Preciso apenas
De algumas pausas
Momentos de silêncio
Para logo depois
Mergulhar em risos
Deixar os olhos brilharem
Diante de potes coloridos
Frutas deliciosamente cristalizadas
Fico feliz com este meu jeito
De querer de vez em quando
Viver coisas cruciais
Sentir que em mim
Nietzsche faz sentido
Até quando limpo a mente
Ao olhar o nada
Esperando aquela noite
Incendiada e perfeita
Mesmo sem paciência
Para colocar cds em ordem
Mas encantada
Ao organizar meus anéis e batons
Faço-me feliz
Ao cultivar sonhos
Ferozmente românticos
Ou quando me lembro
Da cabana que queria
No topo daquela árvore
Coloral que tingia minha infância
Acho que me faço feliz....

Beatriz Prestes

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

DE CARA COM A VERDADE

DE CARA COM A VERDADE

A verdade é sempre assustadora
Mesmo não usando máscaras
Só alguns enfeites para disfarçar
Mesmo sempre tão presente
Difícil com ela concordar, aceitar
Não querer que seja diferente

Verdade revelada
Independente de nós, moldada
Que por vezes vem carregada
Dos espinhos, do fel
Da falsidade velada
Ou totalmente escancarada

Verdade que hoje se instala
Sem véus, sem versos
Sem mais destinos a encaminhar
E nenhuma história para contar
Sem mais nada
Sem passado para lamentar

Beatriz Prestes

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

NOITES E LUAS

NOITES E LUAS

Sentimentos circulam em mim
Como correntes mornas de ar
Torrentes enganando
Virando tempestade
Tentando me convencer
Que há demais solidão
Por mais esta noite
A me esperar

Tento algum conforto na grama
Respiro fundo, buscando perfumes
Procuro calma, alento
Enquanto o coração dispara
E o sangue ferve
Parecendo letal o meu sofrimento

Cogito a imensidão
Sinto-me submissa
Quando sobe a lua gigante
Soberba e consciente
Amarela e insolente
Espreitando meu sentimento
Sabendo que hoje
Nada falarei

Guardarei silêncio apenas
Não há o que contar
Não há perguntas
Não há conversas cúmplices
Não há mais recados
Nem respostas a me esperar

Beatriz Prestes

sábado, 8 de agosto de 2009

AO MEU FILHO RODRIGO

AO MEU FILHO RODRIGO

Passaram os séculos
Passarão muitos dias
E é sempre você
Razão da minha alegria

Por você volto a vida
Te observo
Muito mais me encanto
Morro de paixão

Sinto tanto e forte amor
A cada segundo crescendo
Sempre percebendo em mim
Que por você o mundo eu enfrento

Que presente é ser tua mãe
Tanto te compreender, te amar
Saber de tua alma, dos teus sonhos
Quando mergulho no teu verde olhar

Quanta emoção neste amor sem fim
Que hoje nestes versos
Venho enlevada declarar
O tanto que é você para mim

Que neste teu aniversário
Dia lindo de comemorar
Você meu amor, possa sentir
O quanto é amado em teu lar

Que Jesus te cuide sempre
Com teu anjo a te abençoar
Pois você é tudo para mim
Ao teu lado sempre eu vou estar


Deus te abençõe meu adorado.......você é a melhor parte da minha vida. A mais amada, a mais importante, a fundamental !!!!
Feliz aniversário meu querido.....minha jóia, meu filho.

Te amo.


Beatriz Prestes

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

RESCALDOS

RESCALDOS

Início, reinício
Tanto a se fazer
Muito a consertar
Coisas importantes
Apenas para mim
Valias tratadas com descaso
Infinidades empilhadas
Tesouros ignorados
Como se lixo fossem
Em sacos pretos guardados
Vai ser difícil
Bem mais difícil do que pensei
Mas vou fazer
Bravamente
Sozinha

Beatriz Prestes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

MOMENTO DE UMA NOITE

MOMENTO DE UMA NOITE

Mais uma vez
Casa vazia, cheia de ecos
E a sempre e insistente
Falta de energia...
Busco um toco de vela
Vasculho cantos da casa
Projeto intenções
Coisas tolas para matar o tempo
Procuro meus diários
Cadernos secretos
Cheios ainda de cheiros
As mesmas antigas texturas
Busco mais uma vela
Antevendo que a escuridão
Será ainda longa
E neste encontro comigo mesma
Sei que me surpreenderei
Diante de minhas confissões de alma
Coisas ainda vivas
Total riqueza de detalhes...
Aperta a chuva lá fora
Tudo é úmido e pacato
Tomo consciência
De como será o amanhã
Abraço os meus pedaços
Infinidade de folhas escritas
Observo a chama que treme
Olho para tudo
Fecho os olhos
Decido que amparada
Por tão pequena luz
Vou esperar que amanheça
E que seja um novo dia
Vida repleta de amanhãs



Beatriz Prestes

segunda-feira, 20 de julho de 2009

VALE DAS SOMBRAS

VALE DAS SOMBRAS

Do alto da montanha
Enxergo extenso vale
Poço de desditas
Escuridão disfarçada
Com manto de renda
Temeridade
Com nuances brancas
Intenções que levitam
Mudez cortada por acusações
Acordes crescentes de medo
Lua que não mais brilhará
Tristeza dos sonhos desfeitos
E sonhados sozinhos
A história há tempos
Tinha já o seu final
Enredo premeditado
Com seus capítulos todos
Pausadamente ensaiados
E nesta noite pesada e fria
A legião avança
Empunhando
Em suas mãos macias
Verdades e mentiras
Frieza polida
Cravada com a espada
Fazendo acontecer
A sentença que não tarda

Beatriz Prestes